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Informação e proteção financeira no agronegócio Brasil e Argentina em perspectiva comparada

  • Foto do escritor: Por Dr. Paulo Gomes Especialista em Direito Empresarial e Agronegócio
    Por Dr. Paulo Gomes Especialista em Direito Empresarial e Agronegócio
  • 1 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 26 de set. de 2025

O agronegócio consolidou-se como um dos pilares econômicos da América do

Sul, especialmente em Brasil e Argentina.


O agronegócio consolidou-se como um dos pilares econômicos da América do Sul, especialmente em Brasil e Argentina.

Mais do que motores de suas economias, esses países se destacam como players globais na produção de alimentos, fibras e bioenergia. Segundo dados da SECEX/MDIC, em 2023 o agronegócio respondeu por quase 50% das exportações brasileiras.

Na Argentina, apesar das turbulências macroeconômicas, o setor continua sendo

responsável por uma parte significativa da geração de divisas, sobretudo por

meio da soja, milho e trigo.


O agronegócio consolidou-se como um dos pilares econômicos da América do Sul, especialmente em Brasil e Argentina.
Dr. Paulo Gomes Especialista em Direito Empresarial e Agronegócio, atua na prevenção e resolução de conflitos, com foco em soluções estratégicas que fortalecem negócios.

Nesse panorama, a proteção financeira e a gestão da informação assumem

papel estratégico. Empresários rurais e investidores não podem mais se limitar

à eficiência produtiva; precisam adotar práticas de governança, compliance e

estruturação contratual que reduzam riscos e garantam competitividade global.

A proteção financeira vai além da simples defesa contra perdas econômicas: envolve gestão de riscos, planejamento contratual e adequação regulatória. No Brasil, destacam-se as Cédulas de Produto Rural (CPR), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), os seguros agrícolas, fundos garantidores e

instrumentos de compliance ambiental. Já na Argentina, os mecanismos incluem contratos de futuros agrícolas, o fideicomisso (trust agrícola), financiamentos bancários e seguros ainda pouco abrangentes.


O uso inteligente dessas ferramentas proporciona previsibilidade, atrai investidores e

melhora o acesso a crédito, representando não apenas salvaguarda, mas uma

estratégia de solidez financeira.


A informação também se tornou um ativo estratégico.


A transparência contábil, o compliance e a governança corporativa hoje são diferenciais competitivos, pois empresas que estruturam seus dados de forma clara conquistam credibilidade perante bancos, fundos e parceiros comerciais.


No Brasil, a digitalização das CPRs e o registro em entidades autorizadas pelo

Banco Central avançaram, trazendo agilidade e segurança. Já a Argentina ainda

enfrenta entraves, como menor padronização e baixa digitalização, o que

compromete a previsibilidade jurídica e eleva o custo de capital.


Em ambos os países, a assimetria de informações entre produtores e instituições financeiras permanece como desafio central, e reduzi-la é condição essencial para ampliar crédito e fortalecer a confiança do mercado.


No Brasil, os maiores obstáculos concentram-se na complexidade tributária e

regulatória, na necessidade de expandir o alcance do seguro rural e nos riscos

cambiais que afetam exportadores.


A Argentina, por sua vez, enfrenta instabilidade macroeconômica, controles cambiais rígidos estes reduziram drasticamente no último ano, com o fim do cepo cambiário insegurança jurídica em contratos de longo prazo e escassez de crédito privado.


Superar esses desafios exige planejamento estruturado, mecanismos financeiros

adequados e suporte jurídico especializado capaz de orientar decisões e

mitigar riscos.


As pressões internacionais por práticas alinhadas ao ESG Environment,

Social and Governance também transformaram a sustentabilidade em

requisito de acesso a mercados e capitais.


Cada vez mais, contratos comerciais e financeiros incluem cláusulas ambientais e sociais, e a conformidade com essas exigências tornou-se fator decisivo de

competitividade. Enquanto investidores estrangeiros observam avanços no

Brasil, ainda percebem a Argentina como mercado menos previsível nesse

aspecto, o que impacta diretamente a atração de recursos e parcerias

estratégicas.


Nesse ambiente, a atuação do advogado deixa de ser reativa e assume caráter

essencialmente estratégico. Contratos bem elaborados previnem litígios,

garantias financeiras sólidas ampliam o acesso a crédito e a consultoria

regulatória assegura conformidade com normas ambientais, comerciais e

financeiras.


A proximidade entre profissionais jurídicos, produtores, cooperativas e tradings

permite estruturar operações mais seguras, reduzindo incertezas e fortalecendo

a confiança de investidores nacionais e estrangeiros.


Informação e proteção financeira, portanto, não devem ser vistas como custos,

mas como investimentos estratégicos. A segurança jurídica é condição

indispensável para atrair capital, reduzir riscos e sustentar o crescimento do

setor.


O futuro do agro não será definido apenas pela capacidade produtiva,

mas pela habilidade de estruturar negócios sólidos, transparentes e

juridicamente seguros.


Quem se antecipar a essa realidade estará melhor posicionado para competir

e liderar no mercado global.

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